Vol. 10, n. 2, 2015

TRAVESSIAS INTERATIVAS - VOLUME X
2º SEMESTRE/2015

Caminhos, mudanças, vida nova... Travessias...

"É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."


(Fernando Teixeira de Andrade)

O volume X da revista de letras Travessias Interativas sai com algum atraso, é certo, mas também com algo novo e vivo – e que é, significativamente, o motor da vida. Com algumas mudanças no corpo editorial, além de novas visões para novos(as), ou velhos(as), autores(as), a revista Travessias, neste volume, espera continuar a contribuir para a busca daquela outra margem que está aquém de nós – mas que é, de toda forma, um pouco de nós mesmos. Entre o saber e o conhecer-se, travessias...

Na primeira sessão do volume, Bruna Tella Guerra (Unicamp) nos traz uma entrevista com o professor, contista e romancista Ricardo Lísias. Finalista do Prêmio Jabuti de 2008 (com Anna O. e outras novelas) e do Prêmio São Paulo de Literatura em 2010 (com O livro dos mandarins), a literatura de Lísias parece se sustentar na tensão entre o discurso ficcional, inventivo, e, muitas vezes, o registro nu da própria autoria. Dando “um nó” não só na cabeça da crítica, mas até mesmo da própria Polícia Federal: Ricardo chegou a ser intimado a prestar depoimento no órgão da Federação por conta do seu e-book Delegado Tobias (2014). Lísias foi acusado por falsificação de documentos. Em algum lugar, sem dúvida, Kafka sorri, triunfante (e, em tempo, Flaubert emenda, também jocoso: “Delegado Tobias, c’est moi”).

No primeiro artigo, Flávio Amorim da Rocha (UFMS) analisa o espaço no romance Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, de Marçal Aquino, buscando a relação entre este o espaço descrito e o desenvolvimento psicossocial das personagens do romance – tudo refletido pela/na busca da própria identidade.

“O jornal como tribuna: uma polêmica literária nas ‘Balas de Estalo’”, de Rodrigo Cézar Dias (UFRGS), percorre as discussões e polêmicas literárias ocorridas entre os críticos Silvio Romero e Valentim Magalhães, publicadas nos jornais Gazeta de notícias e A Folha nova, no final do século XIX, em paralelo com a paródia desenvolvida pelos pseudônimos Lulu Sênior e Zig-Zaga – respectivamente Ferreira de Araújo e Henrique Chaves – na série “Balas de estalo”.

E aproveitando as questões dos meios editoriais, “Minas e o Modernismo: a origem de uma poética moderna”, de Aline Maria Jeronymo (UNESP/Araraquara), mergulha por dentro das revistas do modernismo mineiro (A Revista, Verde e leite criôlo) afim de resgatar as questões históricas e literárias fundamentais não só para a literatura subsequente, mas também para a “mineiridade” patente que ali se disseminará, de alguma maneira, no modernismo vindouro.

Dos mergulhos à identidade, polêmicas e regionalismo, saltamos para a filosofia em “Da linguagem filosófica à ficcional: ecos de modern fiction em Mrs. Dalloway” – texto de Vagner Leite Rangel (UERJ). Num texto de fôlego, o autor (re)liga pontos substanciais da moderna literatura norte-americana através da posição fundamental da autobiografia; do sujeito cartesiano; e da posição do narrador segundo Adorno. Tudo isso através da profunda crítica e literatura de Virginia Woolf – respondendo questões e levantando outras tantas.

Ainda na literatura estrangeira, “Seus olhos viam Deus, de Zora Neale Hurston, e a construção identitária da personagem Janie”, Raquel Barros Veronesi e Carlos Augusto Viana da Silva (ambos da Universidade Federal do Ceará – UFC), analisam o processo da construção da identidade e de um viver poético, em meio à realidade objetiva e fragmentária do mundo, da protagonista Janie, do romance Seus olhos viam Deus (1937), da escritora afro-americana Zora Neale Hurston – que já é importante referência da literatura negra norte-americana e de resistência (tanto cultural, quanto de gênero e das minorias).

Inclusive, sobre resistência e gênero, em “A história de um silêncio: a insurgência da voz feminina em A manta do soldado, de Lídia Jorge”, de Audrey Castañón Mattos (UNESP/Araraquara), podemos ler o silencioso grito da escrita feminina, através do artigo e da obra literária; nas vozes explícitas e implícitas; dominantes e silenciadas; que se convergem para o rompimento dos paradigmas da autoridade masculina numa crítica a sociedade androcêntrica e patriarcal – além de uma crítica à própria literatura.

Se, portanto, a obra literária pode ser reflexo do mundo e dos seres que a cerca, em “Do outro como espelho: a construção da identidade no conto ‘Imagem’, de Luiz Vilela”, de Angélica Catiane da Silva de Freitas e Rubens Aquino de Oliveira (ambos da UFMS), rememorando Machado de Assis, Guimarães Rosa e José J. Veiga – todos autores de contos com o título de “Espelho” –, a análise sobre o texto de Luiz Vilela, “Imagem”, procura mostrar como a construção da identidade é, determinantemente, feita através da figura do outro – num infindável exercício de alteridade.

A questão da alteridade, hoje, parece ser um tema tão pertinente que até mesmo aqueles arquétipos que deveriam ser norteadores de nossas aspirações mais nobres acabam entrando em conflito. É o que podemos observar através do artigo “As representações sociais no discurso dos super-heróis: o caso Batman, o cavaleiro das trevas”, de Lorena da Silva Rodrigues e Maria Leidiane Tavares (UFC – Ceará), que vem para contribuir com uma vertente cada vez mais interessante para os estudiosos das Letras (tanto na linguística; quanto na literatura): o universo das HQ e das Graphic Novel. A consagrada obra Batman, o cavaleiro das trevas (1986), de Frank Miller, é um marco nas histórias em quadrinhos. No artigo, através da ótica da análise do discurso, podemos notar como a edificação das ações e das falas das personagens (no caso, Batman e Superman, heróis que se tornam inimigos) servem para endossar posicionamentos que vão muito além da figura idealizada do herói (ou do mito) – recaindo, portanto, na mais significativa dinâmica social.

Ainda dentro das questões sociais, “Representação social da Língua Portuguesa, mídia e ensino” Ana Miriam Carneiro Rodriguez (UninCor), Aline Macedo Silva Araújo e José Antônio de Oliveira Júnior (ambos UFOP), temos a reflexão do ensino de Língua Portuguesa e a sua relação com a Gramática Tradicional através da polêmica surgida em alguns meios depois da aprovação pelo MEC do livro didático Viver e Aprender – por uma vida melhor (2011), de Heloisa Ramos.

Por fim, “Desejos e conflitos socioculturais de Emma Bovary: o discurso feminista manifesto em pensamento”, de Aline Bruna Barbosa Araújo (AFARP), Milca Tscherne (UNESP/Araraquara) e Alice Meira Inácio (UFOP), temos um artigo pautado pelo análise semiolinguística do discurso, onde a personagem icônica de Flaubert, Emma Bovary, para a ser exemplo do comportamento imposto à mulher no século XIX – sem deixar de traçar correspondências com as posições sócio-histórico-culturais do momento em que a obra foi publicada e com o nosso próprio contexto histórico atual.

Literaturas; identidades; discursos; ensino; questões históricas, sociais, culturais. Travessias...

Boa leitura.

Prof. Me. Leonardo Vicente Vivaldo (AFARP/Ribeirão Preto)
Prof. Dr. Alexandre de Melo Andrade (UFS/São Cristóvão)
Profa. Dra. Valéria da Fonseca Castrequini (AFARP/Ribeirão Preto)

(Editores da Revista de Letras Travessias Interativas)

 


AUTOR CONVIDADO

ENTREVISTA COM RICARDO LÍSIAS

- Bruna Tella GUERRA

 


O reflexo da construção do espaço nas personagens principais de Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, de Marçal Aquino

The reflextion of spatial building in the main character of Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, by Marçal Aquino

- Flávio Amorim da ROCHA

 

RESUMO: Este artigo tem por objetivo analisar a composição do espaço no romance Eu receberia as pioresnotícias dos seus lindos lábios, do escritor brasileiro contemporâneo Marçal Aquino. Observa-se que há uma relação intrínseca entre as características espaciais descritas por meio do ponto-de-vista do narrador em primeira pessoa e o desenvolvimento social e psicológico das personagens principais do romance. Em uma pequena cidade do interior do Pará, em meio a um embate entre os garimpeiros e seus habitantes, essas personagens, aparentemente alheias à corrida pelo ouro, encontram-se imersas na busca por algo que vai além da riqueza material: a procura pela própria identidade.

PALAVRAS-CHAVE: narrativa. espaço. identidade.


O jornal como tribuna: uma polêmica literária nas "Balas de estalo"

The newspaper as tribune: a literary polemic in "Balas de estalo"

- Rodrigo Cézar DIAS

 

RESUMO: O presente trabalho propõe a realização de uma leitura do jornal brasileiro do último quartel do século XIX enquanto plataforma de debate público, abordando especificamente o caso da Gazeta de noticias. Para tanto, são analisados dois conjuntos de textos: a polêmica literária travada por Silvio Romero e Valentim Magalhães em 1884, cujos textos foram publicados, respectivamente, n’A Folha nova e na Gazeta de noticias, e a paródia de polêmica desenvolvida paralelamente pelos pseudônimos Lulu Sênior e Zig-Zag – correspondendo, respectivamente, aos autores empíricos Ferreira de Araújo e Henrique Chaves – na série “Balas de estalo”. Com isso, pretende-se observar, primeiramente, a representatividade da prática da polêmica nesse contexto, relacionando-a com a ideia de um discurso polêmico entranhado na experiência brasileira. Em uma visada mais específica, levantamos a hipótese de que a função dos pseudônimos da série “Balas de estalo” varia conforme uma conveniência de procedimentos por parte dos autores empíricos, oscilando entre a simples assinatura e o personagem-narrador ficcionalmente, apresentando diversos gradientes de investimento e elaboração ficcionais conforme o objeto e/ou temática abordados no texto.

PALAVRAS-CHAVE: Lulu Sênior. Zig-Zag. polêmica literária. "Balas de estalo". Gazeta de notícias.


Minas e o Modernismo: a origem de uma poética moderna

Minas Gerais and Modernismo: the origin of modern poetry

- Aline Maria JERÔNYMO

 

RESUMO: A consolidação do movimento modernista em Minas Gerais fez-se por meiode grupos que procuraram afirmar a natureza do homem brasileiro-mineiro. Mais do que uma preocupação estética, o poeta mineiro do século XX buscava a conciliação com suas origens e com sua terra. Desse modo, neste artigo, apontaremos questões históricas e literárias fundamentais para o nascimento do Modernismo mineiro, a partir das principais publicações da década de 1920, tais como A Revista, Verde e leite criôlo para, em seguida, resgatar a peculiaridade da “mineiridade” em alguns poemas desses periódicos.

PALAVRAS-CHAVE: poesia brasileira. Modernismo. "mineiridade".


Da linguagem filosófica à ficcional: ecos de Modern Fiction em Mrs. Dallowayv

From the philosophical languagem to the fictional: echos of Modern Fiction in Mrs. Dalloway

- Vagner Leite RANGEL

 

RESUMO: Estudo de Modern Fiction (1924, 1a publicação) e leitura de Mrs. Dalloway (1925, 1a publicação) com base naquele, ambos de Virginia Woolf. Discute-se a representação literária da tradição inglesa, que será exemplificada através de Robinson Crusoé e a forma literária utilizada por este: a autobiografia, influência da discussão epistemológica cartesiana. Para tanto, a Posição do narrador no romance contemporâneo, de Adorno (2003), será considerado. A partir de um excerto de Mrs. Dalloway, investigar-se-á como o romance de Woolf dá forma à discussão teórica proposta pela autora em Modern Fiction, a fim de expressar aquilo que a autora, no referido ensaio, denomina de “the essential thing” (WOOLF, 2000, p. 741), ausente na tradição inglesa, seja clássica seja contemporânea, e, simultaneamente, responde à crise da representação literária, discutida por Adorno, no referido ensaio.

PALAVRAS-CHAVE: Fabulação. Desfabulação. Literatura Comparada. Modernidade.


Seus olhos viam Deus, de Zora Neale Hurston, e a construção identitária da personagem Janie

Her eyes were watching God, by Zora Nearle Hurston, and the identity construction of the character Hanie

- Raquel Barros VERONESI
- Carlos Augusto Viana da SILVA

 

RESUMO: Neste ensaio, analisamos o processo de construção identitária de Janie,protagonista do romance Seus olhos viam Deus (1937), da escritora afro-americana Zora Neale Hurston. Nosso objetivo é mostrar que este processo de construção da personagem é permeado pela busca constante de um viver poético, em que ela pudesse decidir sobre suas próprias ações, mesmo contrariando as leis do mundo moderno. Negando a realidade objetiva e fragmentária do mundo real, Janie anseia por um lugar onde seus desejos possam se realizar. Ao conquistar essa forma de vida, mesmo que só por algum tempo, com a intermediação do seu último companheiro, a personagem descobre sua negritude e uma liberdade até então impensável. Assim, estabelece-se na narrativa uma luta entre a subjetividade da personagem e a objetividade de sua realidade cotidiana, que acaba se sobressaindo. Nesse sentido, o romance em questão é representativo da produção da chamada literatura negra norte-americana, literatura de resistência, entendida como afirmação da identidade cultural e da luta pela inserção de mulheres e minorias étnicas nasociedade norte-americana, que buscam se libertar da opressão do silêncio e da alienação.

PALAVRAS-CHAVE: construção identitária. mundo objetivo. subjetividade. viver poeticamente.


A história de um silêncio: a insurgência da voz feminina em A manta do soldado, de Lídia Jorge

Around a silence: the arising of female voice in the novel A manta do soldado, by Lídia Jorge

- Audrey Castañón MATTOS

 

RESUMO: Em A manta do soldado, romance de Lídia Jorge, há a insurgência de duas vozes femininas que criticam a sociedade androcêntrica e patriarcal e a própria literatura enquanto forma de representação da realidade. Sendo um romance de autoria feminina, a primeira voz que emerge é a do autor implícito, cuja crítica se processa não apenas nos entrelaçamentos do enredo, mas, principalmente, no rompimento com o paradigma do personagem masculino por meio do engendrar da figura do filho mais velho de uma família rural e fortemente patriarcal segundo padrões aristotélicos e galênicos de concepção da mulher. A voz da narradora domina o primeiro plano da narrativa num complexo jogo discursivo em que, simultaneamente, destaca a autoridade masculina e promove o seu sombreamento, pois a sua história é estruturada sobre o que não foi dito por impedimento de convenções sociais fortemente amparadas no patriarcalismo rural. A escrita feminina, que pode ser lida como um discurso de duas vozes, uma dominante e uma silenciada, é aqui realizada no sentido de explicitar a voz silenciada, transformá-la em grito, arrancá-la das camadas inferiores do palimpsesto, figura que bem identifica o modelo da ficção produzida por mulheres.

PALAVRAS-CHAVE: escrita feminina. literatura de autoria feminina. literatura portuguesa século XX. Lídia Jorge.


Do outro como espelho: a construção da identidade no conto "Imagem", de Luiz Vilela

The other as mirror: the identity’s construction in the short-story "Image", by Luiz Vilela

- Angélica Catiane da Silva de FREITAS
- Rubens Aquino de OLIVEIRA

 

RESUMO: O presente texto analisa o conto “Imagem”, de Luiz Vilela, numa abordagem comparativa com outros contos da Literatura Brasileira que tratam da temática especular: “O espelho”, de Machado de Assis, “O espelho”, de Guimarães Rosa”, e “Espelho”, de José J. Veiga. Se, nos demais contos, há um foco no objeto espelho e no que se reflete nele, no de conto de Vilela, a imagem torna-se o ponto central da narrativa. Mas esta não se limita a um reflexo no espelho, pois depende, totalmente, das opiniões que os demais personagens emitem sobre o protagonista, que, por sua vez, sofre, na tentativa de encontrar a sua identidade. Desse modo, entendemos que, no conto em questão, a temática especular passa a ser desenvolvida pela perspectiva do “outro” como espelho, e essa alteridade é fator determinante na tentativa de construção da identidade.

PALAVRAS-CHAVE: Imagem. alteridade. identidade.


As representações sociais no discurso dos super-heróis: o caso Batman, o cavaleiro das trevas

The socials representations in the speech of super-heroes: the case Batman, o cavaleiro das trevas

- Lorena da Silva RODRIGUES
- Maria Leidiane TAVARES

 

RESUMO: Os super-heróis americanos trazem, geralmente, em seus discursos, um sistema de interpretação da realidade, organizando as relações do sujeito com o mundo e orientando as suas condutas sociais. A partir desse entendimento, nossa pesquisa tem por objetivo a análise discursiva das histórias em quadrinhos de super-heróis americanos, tencionando a compreensão do modo pelo qual estas personagens sofrem transformações, ao longo do tempo, em suas representações sociais e discursivas. Como base teórica para esse estudo, considerando que as representações sociais e discursivas se relacionam estreitamente, utilizamo-nos das reflexões de Moscovici (1978) acerca das Representações Sociais, aliadas às propostas da Análise do Discurso de orientação francesa, sobretudo no que diz respeito aos conceitos de Formação Discursiva (FOUCAULT, 1997; PÊCHEUX, 1995) e Discurso Constituinte (MAINGUENEAU, 2000). Para essa análise, elegemos como corpus as histórias de dois super-heróis célebres das histórias em quadrinhos americanas: Superman e Batman, a partir da série "Batman, O cavaleiro das trevas". Observamos que os super-heróis vêm formando uma nova representação social nas últimas décadas, passando a representar, ao longo da história, a evolução que se afasta da imagem do semideus, em prol de um deslizamento de sentidos que constitui um sujeito fundamentalmente ambíguo em seu caráter cognitivo e psicossocial.

PALAVRAS-CHAVE: representação social. discurso. super-heróis.


A modalização epistêmica e deôntica em entrevista: um exercício em análise

The epistemic modality and deontic in interview: a year in review

- Daiane Karla Correia JODAR

 

RESUMO: Este trabalho tem como objetivo analisar a presença das modalidades epistêmica e deôntica – e verificar qual é a predominante – por meio do emprego de algumas manifestações modalizadoras presentes na entrevista de Maria das Graças Foster ao programa Fantástico, pertencente à Rede Globo de Televisão. A pesquisa baseia-se na teoria funcionalista da linguagem, a qual crê que a língua possui, em sua Gramática, mecanismos que permitem ao falante indicar conhecimento, opinião e orientação argumentativa dos enunciados inseridos na própria língua . É a esses mecanismos que se costuma denominar marcas linguísticas de enunciação ou da argumentação e, outras vezes, tais elementos são denominados modalizadores, já que têm a função de determinar o modo como aquilo que se diz é dito. Pretende-se, por meio do corpus de análise (entrevista de Graça Foster, ex- presidente da PETROBRÁS), apontar quais são as expressões modalizadoras utilizadas no discurso da entrevistada e quais efeitos são produzidos a partir disso.

PALAVRAS-CHAVE: funcionalismo. modalidade. expressões modalizadoras.


Representação social da Língua Portuguesa, Mídia e Ensino

Social representation of Portuguese Language, Media and teaching

- Ana Miriam Carneiro RODRIGUES
- Aline Macedo Silva ARAÚJO
- José Antônio de OLIVEIRA JÚNIOR

 

RESUMO: O presente artigo reflete sobre o ensino de Língua Portuguesa (como língua materna) que desconsidera a função comunicativa da língua a as mudanças decorrentes de seu uso para pautar-se unicamente na dicotomia “certo” e “errado” da Gramática Tradicional. Tomamos como ponto de partida para nossa reflexão o alarde feito pela mídia com a aprovação pelo MEC do livro didático Viver e Aprender – por uma vida melhor, de Heloisa Ramos. Nele a autora trata de variação linguística, lança luz à diferença das modalidades escrita e oral da língua, expõe a necessidade de adequação do discurso à situação comunicativa, sempre alertando o educando para o fato de a norma padrão ser a de maior prestígio em nossa sociedade. Mesmo acreditando ser também função da escola possibilitar ao aluno a apropriação da língua padrão, defendemos que o fato de os educandos serem falantes nativos da língua não pode ser desconsiderado no processo de ensino-aprendizagem, assim como não pode ser negada a existência de variedades diferentes da padrão.

PALAVRAS-CHAVE: ensino de Língua Portuguesa. variedade não-padrão. preconceito linguístico. livro didático.


Desejos e conflitos socioculturais de Emma Bovary: o discurso feminista menifesto em pensamento

Whishes and socio-cultural conflicts of Emma Bovary: the feminist manifest speech in thought

- Milca TSCHERNE
- Alice Meira INÁCIO
- Aline Bruna Barbosa ARAÚJO

 

RESUMO: Este artigo propõe-se a apresentar uma análise discursiva das manifestações psicológicas da personagem Emma Bovary frente à repressão sócio-histórico-cultural vivida por ela no romance realista Madame Bovary (1857), do escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880). No romance, é possível observar que os conflitos de Emma giram em torno da temática do casamento e do adultério, e, partindo desta premissa, a partir da análise semiolinguística do discurso, mais especificamente, do dispositivo de contrato sociocomunicativo proposto por Patrick Charaudeau (2008), pretendemos investigar como o autor constrói a imagem da personagem diante do comportamento imposto à mulher no século XIX e assim, traçar correspondências de determinadas posições sócio-histórico-culturais do momento em que a obra foi publicada com o contexto histórico atual.

PALAVRAS-CHAVE: análise do discurso. contrato sociocomunicativo. Emma Bovary. conflitos socioculturais. ethos.